Liberdade, identidade e afeto no cinema brasileiro contemporâneo
- Elpidio Rocha

- há 11 minutos
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Produção que acompanha a trajetória de Ney Matogrosso, um dos artistas mais revolucionários da música brasileira, “Homem com H” (2025) procura revelar a construção de uma personalidade artística que transformou a liberdade de expressão em linguagem estética e política. Dirigido por Esmir Filho, o filme parte da infância marcada pelos conflitos com o pai militar até o reconhecimento nacional como vocalista dos Secos & Molhados. Posteriormente, em carreira solo, a narrativa apresenta um artista que fez da sua identidade um ato de resistência permanente.
Interpretado por Jesuíta Barbosa, Ney é uma figura que desafia convenções de gênero, comportamento e sexualidade no período marcado pela ditadura militar e pelo conservadorismo social. O filme acompanha também suas relações afetivas, os impactos da epidemia de AIDS sobre sua geração e a busca permanente pela autonomia criativa.

A cinebiografia musical se consolidou como um dos gêneros mais relevantes do cinema brasileiro contemporâneo. Obras como “2 Filhos de Francisco” (2005), “Elis” (2016), “Meu Nome é Gal” (2023), etc., demonstram o interesse em revisitar personagens dos diversos estilos musicais. “Homem com H” destaca a carreira de Ney Matogrosso enfatizando sua contribuição para o debate sobre diversidade, expressão artística e direitos individuais, o que valoriza a representação cinematográfica como espaço de preservação da memória cultural e de reflexão sobre as transformações da sociedade brasileira.
O cineasta Esmir Filho privilegia uma narrativa sensorial, marcada pelo diálogo entre música, performance e imagem. Figurinos, maquiagem, iluminação e encenação recriam diferentes momentos da carreira do cantor celebrando a potência transformadora da arte e reforçando como a liberdade criativa pode desafiar preconceitos, romper padrões culturais e permanecer atual para diferentes gerações.

Estreia de Glória Pires na direção de longas-metragens, “Sexa” (2025) é uma comédia romântica que utiliza o humor para discutir envelhecimento, afetividade e autonomia feminina. A protagonista, Bárbara, uma mulher de 60 anos, acredita que abrir mão da vida amorosa é a melhor maneira de preservar sua relação com o filho. Porém, ao se apaixonar por um homem mais jovem, passa a enfrentar os julgamentos sociais dirigidos às mulheres maduras que desafiam expectativas tradicionais sobre amor, desejo e envelhecimento.
A narrativa acompanha o processo de redescoberta da personagem questionando padrões que associam a maturidade feminina à invisibilidade afetiva e apresentando uma personagem que reivindica o direito de viver plenamente seus desejos sem abrir mão da própria identidade. A leveza da comédia serve de contraponto para abordar preconceitos ainda presentes na sociedade brasileira.
Como diretora, Glória Pires constrói uma narrativa estruturada a partir dos sentimentos da protagonista com humor, romance e observação social; ao colocar a mulher madura no centro da narrativa, o filme aborda o envelhecimento como etapa de possibilidades e rompe com representações tradicionais, que restringem a presença feminina às personagens secundárias ou estereotipadas.
Oferecendo entretenimento e reflexão, “Sexa” convida o público a encarar preconceitos de idade e gênero, demonstrando que o amor, o desejo e a realização pessoal não pertencem exclusivamente à juventude, mas acompanham todas as fases da vida.
Serviço
Mostra Grande Otelo, 28 de julho (terça)
Museu Regional do Norte de Minas
18h30 – Homem com H
20h45 – Sexa



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